O grande assunto pós-GP de Mônaco, dado o banho de água fria que a corrida levou com a interrupção da prova e a substituição dos pneus de Vettel e Alonso, foi o comportamento do inglês Lewis Hamilton durante e depois da corrida. Pois então comecemos com ele…
Antes de mais nada: sou fã do estilo de Lewis Hamilton, com seu arrojo e determinação – quem me conhece sabe disso. Por natureza, ele às vezes exagera nas manobras e acaba prejudicando sua própria corrida (como aconteceu na fase decisiva do campeonato do ano passado) ou a dos outros (vide esta corrida em Mônaco). Em última análise, podemos dizer que essa é uma característica de sua pilotagem.
Mas, a grande questão é que ele deve assumir a responsabilidade pelo que faz. O chororô depois da corrida, colocando a culpa em Massa e no Maldonado, não convence nem mesmo a equipe McLaren. Nos dois casos, os adversários ainda tinham o carro à frente e estavam no direito de fechar a porta. Hamilton poderia – e deveria – frear para evitar o contato.
(Um adendo: eu só queria que o Massa tivesse feito a mesma manobra com o Alonso, quando o espanhol fez coisa parecida no GP da China do ano passado, ultrapassando-o na entrada do box durante um safety-car).
Hamilton precisa colocar a cabeça no lugar, admitir que foi otimista demais e rever um pouco sua postura na disputa de posições. Caso contrário, voltará a perder títulos e corridas e também ficará marcado pelos comissários, assim como aquele atacante que vive se jogando na área e, com o tempo, o juiz não marca pênalti nem que lhe apliquem um golpe de caratê.
Pena para Massa, que fazia uma boa corrida e em condições normais terminaria na quarta colocação, quem sabe até com chance de brigar por um pódio. Para piorar, Alonso pontuou bem a diferença para o companheiro já é de 45 pontos. Já Maldonado fazia a corrida da sua vida e marcaria os seus primeiros pontos na Fórmula 1 – à frente do companheiro Rubens Barrichello, a quem couberam, então, os dois primeiros pontos da Williams na temporada.
A corrida teve belas manobras, como a ultrapassagem de Schumacher sobre Hamilton no grampo e o troco do inglês na Saint Devote. O final prometia ser eletrizante, com os três primeiros colocados em estratégias de paradas totalmente diferentes e pneus em estado de degradação e aderência idem.
Não fosse o acidente múltiplo que interrompeu a corrida na volta 72, Alonso muito provavelmente teria vencido, com Button em segundo. Teria sido bem divertido ver a briga dos três – onde, acredito que a experiência e arrojo do espanhol teriam superado os pneus em frangalhos de Vettel. Button, apesar de ter os compostos em melhor estado, não tem no arrojo a sua principal característica e só assumindo um risco muito grande ele conseguiria passar pelo piloto da Ferrari.
Vettel foi, sem dúvida, o maior beneficiado por ter trocado os pneus sob bandeira vermelha (uma falha no regulamento esportivo, na minha opinião). Mas é preciso lembrar que o alemão foi vítima de uma falha da Red Bull em sua única parada, que elevou Button à liderança. Mas a corrida dos três foi digna de elogios.
No campeonato, que está próximo de ter o seu primeiro terço completado, Vettel fez 143 dos 150 pontos possíveis e, mais do que isso, seus rivais mais próximos vem dividindo entre si a pontuação dos segundos e terceiros lugares. Em resumo, mesmo se ficar sem pontuar nas duas próximas etapas, o alemão ainda será líder, já que Hamilton poderia chegar a, no máximo, 135 com duas vitórias.
Quem segura o alemão?