Na compra de um carro usado, o futuro dono quer ter certeza de que o automóvel está com carroceria, mecânica e documentos em ordem. Antigamente, a única fonte de carros nessas condições era uma loja de confiança ou um conhecido cuidadoso que trocasse de modelo constantemente. Agora as locadoras de veículos também fazem parte dessa lista. Apesar de o foco das locadoras ser o aluguel, elas entraram no mercado de venda de usados porque têm uma necessidade permanente de renovar sua frota.
Isso significa que não é difícil encontrar seminovos de locadora à venda em excelente estado de conservação. As empresas estabelecem um limite de uso para os carros, que varia em torno de um ano ou 40 mil quilômetros. E, como as locadoras compram seus veículos diretamente das montadoras e em grandes quantidades, elas conseguem ótimos descontos, o que permite a redução do preço na revenda, além da garantia de que as revisões foram sempre efetuadas. E não são apenas as grandes redes que repassam ao público seus seminovos: as locadoras regionais também atuam nessa área.
O maior problema desse negócio é o preconceito contra carros que, apesar de terem um único dono, passaram pela mão de dezenas de motoristas. É por isso que as locadoras têm de praticar preços mais baixos para atrair os consumidores. Mas vale dizer que essa fama não é justificada, já que todos os automóveis têm procedência garantida e, segundo as empresas, carros batidos ou com reparos sérios não são vendidos.
Assim, os modelos expostos nas lojas têm a garantia da empresa de não ter passado por reparos graves, mas isso varia um pouco dependendo da empresa. Na Localiza, qualquer carro batido – seja um amassado na porta, seja um acidente grave – segue para os leilões. Já a Avis e a LocarAlpha consertam os pequenos amassados, deixando para os leilões apenas os casos mais graves. Por isso, vale se informar da política da locadora antes da compra.
A placa não engana
Antes de comprar, lembre-se de que um usado de locadora sempre terá valor de revenda menor. Por isso é importante que o preço esteja baixo da média. Mesmo que a cidade que consta na placa seja trocada (para pagar menos IPVA, eles são emplacados em Belo Horizonte, Curitiba ou Palmas), as três letras denunciam seu estado de origem. Se no futuro for revender a um lojista, ele vai saber disso. Depois vem a pesquisa pela internet.A Localiza tem um site (www.seminovoslocaliza.com.br) no qual é possível pesquisar preço e ver fotos. Segundo os vendedores, alguns carros que estão há mais de 30 dias no pátio das lojas têm preços reduzidos. Por isso, às vezes vale monitorar os sites para saber se esses preços caem mais ainda. Mesmo assim, nunca feche negócio sem ver o carro pessoalmente.
A internet esconde estofados em mau estado, com cheiro de cigarro, riscos, amassados, entre outros problemas. Fuja de cores exóticas ou dos brancos, a não ser que você não tenha preocupação com a revenda e pretenda ficar com o carro por muito tempo. Modelos assim são comuns nas locadoras, mas sua revenda é bem mais complicada. Evite também as versões muito simples. Boa parte dos carros à venda vem com ar-condicionado, mas não tem sequer limpador e desembaçador traseiro. Ou seja, vão dar trabalho na revenda, pois no mercado de usados modelos com ar em geral são bem equipados.